A CULTURA E AS MENTALIDADES
A tradição já não é o que era
A Dona Rosa foi julgada. Não sei o conteúdo da sentença. Mas foi julgada injustamente, já se vê. O seu crime foi afinal uma louvável atitude em defesa das tradições da sua terrinha. Eu conto. A senhora em questão cedeu gratuitamente o seu gato para que se cumprisse a referida tradição: “A queima do gato”. Isto no contexto das festas de S. João, na aldeia de Mourão, Vila Flor, distrito de Bragança.
Citando várias testemunhas de defesa da caridosa senhora, diz-se que foi o próprio bichano, que se ofereceu como voluntário, o que não ficou provado na audiência. Colocado no cimo de um tronco foi a partir da base deitado fogo ao mesmo com as consequências que se calculam. Um divertimento incrível para a populaça. Cumpriu-se esta bela tradição. Em tribunal as testemunhas de defesa transformaram o nome original “Queima do Gato” em “Queima do vareiro”. Não há nada como sermos honestos. O gato não foi ouvido por razões óbvias e e desapareceu daquela simpática e acolhedora aldeia.
Este ano e com o desaparecimento do felino, que deve ter emigrado para um país civilizado, consta que a Comissão de Festas vai convidar a Dona Rosa a ser colocada no topo do “vareiro” e com esta inovação iniciar um novo ciclo em termos de tradição.
Assim como assim qual a diferença entre estes dois animais? Eu respondo::
O gato é mais humano.

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