A CULTURA E AS MENTALIDADES
Não vale fazer batota na propaganda
Júlio Pratas
As
diferentes forças políticas, cada uma à sua maneira, apresentam as suas
propostas ao eleitorado, a par de uma linguagem de alguns que se pauta muitas
vezes pela agressividade e arrogância desnecessárias. Aparece propaganda em
papel onde de uma maneira previsível, recorrente, repetitiva, se publicam
fotografias do mau que os outros fizeram e do bem que nós fizemos.
Podem
ser guardadas para futuras eleições.
Entendo
tudo isto como natural, inócuo, vale o que vale. O lixo, as ervazinhas, a
degradação dos imóveis, o estilo arquitetónico de algumas obras com nova
denominação de um desconhecido “estilo do leste”. Coisa que não existe.
Num
desses programas do PS e no conjunto das fotografias, existem duas que me
despertaram a atenção. Não é política, é mesmo uma questão de gosto e de
honestidade. As entradas Sul e Oeste de Alpiarça são retratadas por duas
imagens de dois suportes de propaganda numa manifesta manipulação e falta de
respeito pela sanidade mental dos Alpiarcenses. Reduzir uma fotografia que se
presume abrangente da entrada em qualquer localidade a dois objectos esquecendo
deliberadamente o conjunto é no mínimo falta de cuidado na escolha do material.
É serodiamente
ridículo. Qualquer das entradas da vila é mesmo muito bonita.
A
rotunda dos Patudos, o arvoredo, a barragem, a Casa Museu na sua beleza, a
perspectiva cénica desta entrada, torna-a numa entrada muito bonita. A outra é
igualmente bonita. A vala, a ponte, o Parque do Carril, o arvoredo, as flores,
tornam o local, a entrada, igualmente bonita.
É
evidente que as fotografias tiradas ao alcatrão, a um calhau, fazem parte da
entrada, mas não são a entrada em Alpiarça.
Não
era necessário chegar a este ponto.
Como
diz o outro “é triste”, como digo eu:
É uma batota
lamentável, e neste particular dispensável.
FOTO: J.Nascimento


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