A CULTURA E AS MENTALIDADES
A invasão dos imbecis
Júlio Pratas
Com a actual comunicação social corremos o risco de uma
decadência moral devido ao facto da “rede” de comunicações e comunicadores de
que o caso mais exemplar é o computador, não ser utilizada para comunicar
verdadeiramente. Corremos o risco de, podendo certa comunicação social
contornar ou mesmo condicionar o sector político, minar o próprio Estado.
Trata-se
não só de um recuo na História mas também de uma barbárie moderna cujos traços
se revelam específicos.
A
falência do humanismo, o afundamento dos valores vão deixando do ponto de vista
social um vazio. Quer nos media públicos quer nos privados a questão moral não
é importante. O que é facto é que a informação e comunicação se tornaram
simultaneamente no centro activo da nossa sociedade.
A
nível nacional, das televisões aos jornais, o panorama não é animador.
Parcialidade, embrutecimento, falta de ética politica, profissional, falta de
vergonha, com os ditos “papagaios”, comentadores, doutores, e outros da mesma
fauna, transformados em afamados dignatários da informação. Termitem-se ser
malcriados com pessoas de que politicamente não gostam e subservientes com
aqueles a quem lambem as botas.
O
condicionamento mental dos telespectadores e leitores é brutal. A manipulação é
constante. Quem quiser ver um telejornal decente, imparcial, recorre à TVE,
BBC, CNN ou até Aljazira. África não existe. Ásia também não, América do Sul,
só quando politicamente convem. Ao norte sim. É o Trump, a mulher do Trump, os
filhos, genros e demais família. Um espirro é notícia.
O
Facebook, as redes sociais, os blogs, deveriam ter um papel importante para o
melhor. Não é o que acontece. Servem para tudo, desde a ofensa à calúnia,
passando pela mentira.
É
natural que quem tem a cabeça preenchida com lixo (para ser simpático), só pode
pensar, falar e escrever lixo.
Razão
tem Umberto Eco que há tempos escreveu “as redes sociais concedem o direito da
palavra a legiões de imbecis, que antes falavam só no café, depois de uma
bebida, sem danos para a colectividade. Vinham imediatamente revestidos ao
silêncio, enquanto agora têm o mesmo direito (democrático) de palavras de um
prémio Nobel.
Assistimos à invasão dos imbecis.

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