segunda-feira, 18 de setembro de 2017


A CULTURA E AS MENTALIDADES
A invasão dos imbecis
Júlio Pratas
Com a actual comunicação social corremos o risco de uma decadência moral devido ao facto da “rede” de comunicações e comunicadores de que o caso mais exemplar é o computador, não ser utilizada para comunicar verdadeiramente. Corremos o risco de, podendo certa comunicação social contornar ou mesmo condicionar o sector político, minar o próprio Estado.
Trata-se não só de um recuo na História mas também de uma barbárie moderna cujos traços se revelam específicos.
A falência do humanismo, o afundamento dos valores vão deixando do ponto de vista social um vazio. Quer nos media públicos quer nos privados a questão moral não é importante. O que é facto é que a informação e comunicação se tornaram simultaneamente no centro activo da nossa sociedade.
A nível nacional, das televisões aos jornais, o panorama não é animador. Parcialidade, embrutecimento, falta de ética politica, profissional, falta de vergonha, com os ditos “papagaios”, comentadores, doutores, e outros da mesma fauna, transformados em afamados dignatários da informação. Termitem-se ser malcriados com pessoas de que politicamente não gostam e subservientes com aqueles a quem lambem as botas.
O condicionamento mental dos telespectadores e leitores é brutal. A manipulação é constante. Quem quiser ver um telejornal decente, imparcial, recorre à TVE, BBC, CNN ou até Aljazira. África não existe. Ásia também não, América do Sul, só quando politicamente convem. Ao norte sim. É o Trump, a mulher do Trump, os filhos, genros e demais família. Um espirro é notícia.
O Facebook, as redes sociais, os blogs, deveriam ter um papel importante para o melhor. Não é o que acontece. Servem para tudo, desde a ofensa à calúnia, passando pela mentira.
É natural que quem tem a cabeça preenchida com lixo (para ser simpático), só pode pensar, falar e escrever lixo.
Razão tem Umberto Eco que há tempos escreveu “as redes sociais concedem o direito da palavra a legiões de imbecis, que antes falavam só no café, depois de uma bebida, sem danos para a colectividade. Vinham imediatamente revestidos ao silêncio, enquanto agora têm o mesmo direito (democrático) de palavras de um prémio Nobel.
Assistimos à invasão dos imbecis.


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