segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

O PRESÉPIO TRADICIONAL PORTUGUÊS
…….
Quando se aproxima o Natal, a magia do Presépio renasce. No entanto, a arte do Presépio Tradicional Português está a definhar e corre o risco de se extinguir. O alerta é dado pelo Centro UNESCO de Arquitectura e Arte (UCART), com sede no Alentejo.
De acordo com quem analisa o fenómeno da descaracterização dos presépios, este problema não reside, na concorrência do Pai Natal ou das árvores cheias de bolas coloridas que fazem parte do imaginário mais recente da quadra.
O que tem vindo a suceder realmente, nas últimas décadas, é uma perda acentuada dos traços distintivos dos nossos presépios, que abandonam a sua matriz e se tornam cada vez mais produtos comerciais descartáveis. 
Está em risco um património, material e imaterial, que precisa de mais atenção.
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Texto retirado de “Terras sem sombra”
Visite Santiago do Cacem

Conheça o seu presépio







segunda-feira, 16 de outubro de 2017

PERANTE A TRAGÉDIA DOS ÚLTIMOS DIAS 
SÓ NOS RESTA TAMBÉM DIZER 

"Ai flores, ai flores do Pinhal  florido,
que grande saudade, que longo gemido"


domingo, 24 de setembro de 2017

OS VOTOS NA CDU E A OPOSIÇÃO PODER UNIR-SE
Nos últimos dias falou-se da possibilidade do Mudar Alpiarça desistir. Acha que isso pode acontecer?
Primeiro quero dizer que não tenho qualquer preferência, é-me indiferente, se o MUDA vai a votos ou se abdica a favor do PS.
A CDU terá os votos que os Alpiarcenses entendam dar-lhe, independentemente da oposição aparecer junta ou separada.
Contudo, considero, que o MUDA irá a eleições, pelo bom trabalho eleitoral que tem feito.
Até posso considerar que as suas propostas são inviáveis, que são utópicas, próprias de quem nem sonha chegar ao poder, mas tem feito o seu trabalho com empenho e alguma criatividade. E não se pode deixar de olhar as suas propostas com alguma atenção.
Embora mantenha alguma herança do TPA, recebeu algumas caras novas e sobretudo viu-se livre de algumas figuras. Tem usado um estilo correto.
Pelo contrário outros têm usado a provocação como arma política contra a CDU, não poupando sequer o MUDA nos seus ataques irracionais.
Certo que não são as principais figuras do PS a fazer esse papel, e acredito sinceramente que Sónia Sanfona não se reveja nesse estilo, mas na verdade essa campanha existe, feita por alguns dos seus seguidores, e não vejo que a candidatura do PS se demarque dessa forma de fazer política.
Uma pena.

Assim, até eventuais boas propostas, ficam desvalorizadas.

ENTREVISTA AO "O ALPIARCENSE"

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

O VAGABUNDO NA ESPLANADA

O vagabundo, de mãos nos bolsos das calças, vinha, despreocupadamente, avenida abaixo.
Cerca de cinquenta anos, atarracado, magro, tudo nele era limpo, mas velho e cheio de remendos. Sobre a esburacada camisola interior, o casaco, puído nos cotovelos e demasiado grande, caía-lhe dos ombros em largas pregas, que ondulavam atrás das costas ao ritmo lento da passada. Desfiadas nos joelhos, muito curtas, as calças deixavam à mostra as canelas, nuas, finas de osso e nervo, saídas como duas ripas dos sapatos cambados. Caído para a nuca, copa achatada, aba às ondas, o chapéu semelhava uma auréola alvacenta.
Apesar de tudo isso, o rosto largo e anguloso do homem, de onde os olhos azuis-claros irradiavam como que um sorriso de luminosa ironia e compreensivo perdão, erguia-se, intacto e distante, numa serena dignidade.
Era assim, ao que se via, o seu natural comportamento de caminhar pela cidade.
Alheado, mas condescendente, seguia pelo centro do passeio com a distraída segurança de um milionário que obviamente se está nas tintas para quem passa. Não só por educação mas também pelos simples motivo de ter mais e melhor em que pensar.
O que não sucedia aos transeuntes. Os quais, incrédulos ao primeiro relance, se desviavam, oblíquos, da deambulante causa do seu espanto. E à vista do que lhes parecia um homem livre de sujeições, senhor de si próprio em qualquer circunstância e lugar, logo, por contraste, lhes ocorriam todos os problemas, todos os compadrios, todas as obrigações que os enrodilhavam. E sempre submersos de prepotências, sempre humilhados e sempre a fingir que nada disso lhes acontecia.
Num instante, embora se desconhecessem, aliviava-os a unânime má vontade contra quem tão vincadamente os afrontava em plena rua. Pronta, a vingança surgia. Falavam dos sapatos cambados, do fato de remendos, do ridículo chapéu. Consolava-os imaginar os frios, as chuvas e as fomes que o homem havia de sofrer. No entanto alguém disse:
– Devia ser proibido que indivíduos destes andassem pela cidade.
E assim resmungando, se dispersavam, cada um às suas obrigações, aos seus problemas.
Sem dar por tal, o homem seguia adiante.
Junto dos Restauradores, a esplanada atraiu-lhe a atenção. De cabeça inclinada para trás, pálpebras baixas, catou pelos bolsos umas tantas moedas, que pôs na palma da mão. Com o dedo esticado, separou-as, contando-as conscienciosamente. Aguardou o sinal de passagem, e saiu da sombra dos prédios para o sol da tarde quente de Verão.
A meio da esplanada havia uma mesa livre. Com o à-vontade de um frequentador habitual, o homem sentou-se.
Após acomodar-se o melhor que o feitio da cadeira de ferro consentia, tirou os pés dos sapatos, espalmou-os contra a frescura do empedrado, sob o toldo. As rugas abriram-lhe no rosto curtido pelas soalheiras um sorriso de bem-estar.
Mas o fato e os modos da sua chegada haviam despertado nos ocupantes da esplanada, mulheres e homens, uma turbulência de expressões desaprovadoras. Ao desassossego de semelhante atrevimento sucedera a indignação.
Ausente, o homem entregava-se ao prazer de refrescar os pés cansados, quando um inesperado golpe de vento ergueu do chão a folha inteira de um jornal, e enrolou-lha nas canelas. O homem apanhou-a, abriu-a. Estendeu as pernas, cruzou um pé sobre o outro. Céptico, mas curioso, pôs-se a ler.
O facto, de si tão discreto, pareceu constituir a máxima ofensa para os presentes. Franzidos, empertigaram-se, circunvagando os olhos, como se gritassem: "Pois não há um empregado que venha expulsar daqui este tipo!" Nas caras, descompostas pelo desorbitado melindre, havia o que quer que fosse de recalcada, hedionda raiva contra o homem mal vestido e tranquilo, que lia o jornal na esplanada.
Um rapaz aproximou-se. Casaco branco, bandeja sob o braço, muito senhor do seu dever. Mas, ao reparar no rosto do homem, tartamudeou:
– Não pode...
E calou-se. O homem olhava-o com benevolência.
– Disse?
– É reservado o direito de admissão – tornou o rapaz, hesitando. – Está além escrito.
Depois de ler o dístico, o homem, com a placidez de quem, por mera distracção, se dispõe a aprender mais um dos confusos costumes da cidade, perguntou:
– Que direito vem a ser esse?
– Bem... – volveu o empregado. – A gerência não admite... Não podem vir aqui certas pessoas.
– E é a mim que vem dizer isso?
O homem estava deveras surpreendido. Encolhendo os ombros, como quem se presta a um sacrifício, deu uma mirada pelas caras dos circunstantes. O azul-claro dos olhos embaciou-se-lhe.
– Talvez que a gerência tenha razão – concluiu ele, em tom baixo e magoado. – Aqui para nós, também me não parecem lá grande coisa.
O empregado nem podia falar.
Conciliador, já a preparar-se para continuar a leitura do jornal, o homem colocou as moedas sobre a mesa, e pediu, delicadamente:
– Traga-me uma cerveja fresca, se faz favor. E diga à gerência que os deixe ficar. Por mim, não me importo.
 

Manuel da Fonseca



A GESTÃO DA CDU
E como classifica a gestão de Mário Pereira? O que fez de bem? E menos bem?

Mais que classificar a gestão de Mário Pereira, prefiro antes classificar a gestão da CDU, liderada por Mário Pereira.
É óbvio que concordo e apoio essa gestão, que considero muito boa, tendo em consideração as circunstâncias, ou nem sequer tinha aceitado recandidatar-me.
Acho que tem sido feito um “milagre” considerando o estado lastimoso em que estava a autarquia.
Ainda assim, conseguimos manter com a qualidade possível os serviços básicos de apoio à população, os apoios à economia, às coletividades, à educação e à cultura.
Bem como concretizámos algumas obras de vulto.
Isto tudo, sem aumento dos impostos e sem recurso ao crédito e, muito importante, conseguimos amortizar a dívida em 4,7 milhões.

A oposição não gosta que a CDU fale na dívida. Mas todos sabemos porquê.

No seu entender o que teria o concelho de Alpiarça a ganhar com continuidade da CDU à frente da CMA?

O povo de Alpiarça já conhece os candidatos da CDU e o seu modo de trabalhar. O povo de Alpiarça conhece as dificuldades que a CDU tem tido nestes últimos anos, e sabe bem quem são os responsáveis por essas mesmas dificuldades.
A continuidade da CDU, é o garante da estabilidade do concelho, que ao contrário de algumas campanhas insidiosas, é uma terra onde há democracia, liberdade, e um convívio saudável entre as pessoas de todos os quadrantes políticos.
E isso os Alpiarcenses sabem bem.
A continuidade da CDU é o garante que não voltaremos atrás, a tempos recentes, com a dívida descontrolada.
A CDU com a reestruturação financeira que implementou, criou condições para que hoje seja possível a realização de obras, como o Jardim Municipal, e tornou possível a candidatura aos fundos comunitários, para diversas obras que iremos poder realizar, como a requalificação do Mercado Municipal, e muitas outras.
Foi a condição necessária para se poderem realizar essas candidaturas.
Só com as contas equilibradas, alguém pode pensar em progresso.

ENTREVISTA AO "O ALPIARCENSE"


quinta-feira, 21 de setembro de 2017



BALANÇO DA ASSEMBLEIA MUNICIPAL
Que balanço faz dos últimos quatro anos da forma como geriu a Assembleia Municipal?

Os últimos 4 anos não foram nada fáceis. No passado participei em diversos mandatos na Assembleia Municipal, encontrei agora uma política e uma oposição muito diferentes, com pouca ideologia, com poucos valores, e que usa apenas aquilo que sabe, a provocação como arma política.
Felizmente não foram todos, e mantive com alguns da oposição, um relacionamento cordial e de respeito mútuo.
Procurei ser rigoroso, mas imparcial.
Gostei da experiência, e por isso mesmo aceitei o convite do PCP, que muito me honrou, para me recandidatar e continuar a dar o meu contributo.

Num concelho com a cena politica a viver por vezes momentos conturbados nem sempre é fácil?

Parece-me que a cena política em Alpiarça, não é mais conturbada que em qualquer outro concelho.
O aparecimento de movimentos falsamente independentes, compostos por pessoas que na sua maior parte, podem dizer e fazer o que quiserem, pois pouco têm a perder, não é um exclusivo deste concelho.
Por outro lado, temos as redes sociais, onde o disparate e a mentira, não têm o mínimo controlo.
Acontece aqui, é complicado de gerir, mas também acontece por todo o lado.
Como disse Humberto Eco, as redes sociais dão o direito à palavra a uma “legião de imbecis” que, antes destas plataformas, apenas falavam nos bares, depois de uma taça de vinho, sem prejudicar a coletividade.

ENTREVISTA AO "O ALPIARCENSE"



segunda-feira, 18 de setembro de 2017

ENTREVISTA DE MÁRIO PEREIRA NO 
"NOTÍCIAS DE ALPIARÇA"





A CULTURA E AS MENTALIDADES
Não vale fazer batota na propaganda
Júlio Pratas

A campanha para as autárquicas está na rua.
As diferentes forças políticas, cada uma à sua maneira, apresentam as suas propostas ao eleitorado, a par de uma linguagem de alguns que se pauta muitas vezes pela agressividade e arrogância desnecessárias. Aparece propaganda em papel onde de uma maneira previsível, recorrente, repetitiva, se publicam fotografias do mau que os outros fizeram e do bem que nós fizemos.
Podem ser guardadas para futuras eleições.
Entendo tudo isto como natural, inócuo, vale o que vale. O lixo, as ervazinhas, a degradação dos imóveis, o estilo arquitetónico de algumas obras com nova denominação de um desconhecido “estilo do leste”. Coisa que não existe.
Num desses programas do PS e no conjunto das fotografias, existem duas que me despertaram a atenção. Não é política, é mesmo uma questão de gosto e de honestidade. As entradas Sul e Oeste de Alpiarça são retratadas por duas imagens de dois suportes de propaganda numa manifesta manipulação e falta de respeito pela sanidade mental dos Alpiarcenses. Reduzir uma fotografia que se presume abrangente da entrada em qualquer localidade a dois objectos esquecendo deliberadamente o conjunto é no mínimo falta de cuidado na escolha do material.
É serodiamente ridículo. Qualquer das entradas da vila é mesmo muito bonita.
A rotunda dos Patudos, o arvoredo, a barragem, a Casa Museu na sua beleza, a perspectiva cénica desta entrada, torna-a numa entrada muito bonita. A outra é igualmente bonita. A vala, a ponte, o Parque do Carril, o arvoredo, as flores, tornam o local, a entrada, igualmente bonita.
É evidente que as fotografias tiradas ao alcatrão, a um calhau, fazem parte da entrada, mas não são a entrada em Alpiarça.
Não era necessário chegar a este ponto.
Como diz o outro “é triste”, como digo eu:

É uma batota lamentável, e neste particular dispensável.

FOTO: J.Nascimento



A CULTURA E AS MENTALIDADES
A invasão dos imbecis
Júlio Pratas
Com a actual comunicação social corremos o risco de uma decadência moral devido ao facto da “rede” de comunicações e comunicadores de que o caso mais exemplar é o computador, não ser utilizada para comunicar verdadeiramente. Corremos o risco de, podendo certa comunicação social contornar ou mesmo condicionar o sector político, minar o próprio Estado.
Trata-se não só de um recuo na História mas também de uma barbárie moderna cujos traços se revelam específicos.
A falência do humanismo, o afundamento dos valores vão deixando do ponto de vista social um vazio. Quer nos media públicos quer nos privados a questão moral não é importante. O que é facto é que a informação e comunicação se tornaram simultaneamente no centro activo da nossa sociedade.
A nível nacional, das televisões aos jornais, o panorama não é animador. Parcialidade, embrutecimento, falta de ética politica, profissional, falta de vergonha, com os ditos “papagaios”, comentadores, doutores, e outros da mesma fauna, transformados em afamados dignatários da informação. Termitem-se ser malcriados com pessoas de que politicamente não gostam e subservientes com aqueles a quem lambem as botas.
O condicionamento mental dos telespectadores e leitores é brutal. A manipulação é constante. Quem quiser ver um telejornal decente, imparcial, recorre à TVE, BBC, CNN ou até Aljazira. África não existe. Ásia também não, América do Sul, só quando politicamente convem. Ao norte sim. É o Trump, a mulher do Trump, os filhos, genros e demais família. Um espirro é notícia.
O Facebook, as redes sociais, os blogs, deveriam ter um papel importante para o melhor. Não é o que acontece. Servem para tudo, desde a ofensa à calúnia, passando pela mentira.
É natural que quem tem a cabeça preenchida com lixo (para ser simpático), só pode pensar, falar e escrever lixo.
Razão tem Umberto Eco que há tempos escreveu “as redes sociais concedem o direito da palavra a legiões de imbecis, que antes falavam só no café, depois de uma bebida, sem danos para a colectividade. Vinham imediatamente revestidos ao silêncio, enquanto agora têm o mesmo direito (democrático) de palavras de um prémio Nobel.
Assistimos à invasão dos imbecis.



OS NARCISOS NÃO SÃO APENAS FLORES

Depois de ter lido no Facebook algumas notícias sobre plágio e sobre narcisismo, e depois da última sessão da Assembleia Municipal, que acabou cedo, cheguei a casa e fui procurar saber um pouco mais sobre os narcisos.
E li algumas coisas interessantes.

Primeiro, quero esclarecer que não me refiro a estas flores bonitas e cheirosas que vulgarmente encontramos, mas aos outros.
Utilizo neste texto palavras de alguns psicólogos que estudaram profundamente este assunto, sobretudo Daniel Rijo.
Narciso é aquele que aparenta ter excesso de confiança em si próprio, acha-se o máximo e pelo contrário acha que todos os outros não passam de gente menor, menos competentes, menos bonitos, menos inteligentes, etc.
A esta depreciação do outro para, por contraponto, se elevarem a si próprios pode ainda juntar-se traços de arrogância e atitudes altivas (“eu é que sei”).
Tudo não passa de uma tentativa de compensar sentimentos de inferioridade.
No narcisismo, a confiança é uma máscara.
A origem do mito do Narciso tem a ver com o excessivo amor de alguém pela sua própria imagem. Na versão do poeta romano Ovídio, Narciso era um jovem que, ao ver-se reflectido num espelho de água, apaixonou-se por essa imagem e ficou a olhar para ela, até morrer.
Tal como Narciso no mito, precisam de espelhos que lhes devolvam imagens inflacionadas de si próprios. Por isso, há uma dependência extrema do exterior.
Psicólogo Daniel Rijo acrescenta: “Estão constantemente a rebaixar os outros para se engrandecerem: fazendo este jogo, são os maiores.”
Têm medo de falhar. Quando alguma coisa não corre bem, a culpa é dos outros. Quando corre bem: [Fui] ‘eu, eu eu.’
Alguns não têm escrúpulos, não têm valores éticos, morais.
Segundo Daniel Rijo. “A pessoa não percebe que o problema está nela.
O Narcisismo faz parte da Classificação Internacional de Doenças, da Organização Mundial da Saúde,
Quando se pergunta a dois psicólogos portugueses, em momentos separados, como podemos proteger-nos de um narcísico, as respostas coincidem.
“Apenas não o deixando chegar muito perto”, diz Isabel Leal.
“Afastando-nos!”, diz Daniel Rijo.
Agora se me perguntarem qual a razão por que escrevi este texto, só posso responder:
Escrevi porque me apeteceu.




quinta-feira, 14 de setembro de 2017

CEMITÉRIO
Tenho horror a hospitais, os frios corredores, as salas de espera, ante-salas da morte, mais ainda a cemitérios onde as flores perdem o viço, não há flor bonita em campo santo.
Possuo, no entanto, um cemitério meu, pessoal, eu o construí e inaugurei há alguns anos quando a vida me amadureceu o sentimento.
Nele enterro aqueles que matei, ou seja, aqueles que para mim deixaram de existir, morreram: os que um dia tiveram a minha estima e perderam. Quando um tipo vai além de todas as medidas e de facto me machuca, já com ele não me aborreço, não fico enojado ou furioso, não brigo, não corto relações, não lhe nego o cumprimento. Enterro-o na vala comum de meu cemitério, nele não existe jazigo de família, túmulos individuais, os mortos jazem em cova rasa, na promiscuidade da salafrarice, do mau caráter.
Para mim o fulano morreu, foi enterrado, faça o que faça já não pode me magoar.
Raros enterros, ainda bem! De um pérfido, de um perjuro, de um desleal, de alguém que faltou à amizade, foi por demais interesseiro, falso, se achou superior, hipócrita, arrogante, a impostura e a presunção me ofendem fácil. No pequeno e feio cemitério, sem flores, sem lágrimas, sem um pingo de saudade, apodrecem uns tantos sujeitos, homens e mulheres, uns e outras varri da memória, retirei da vida.
Encontro na rua [ou na internet] um desses fantasmas, paro a conversar, escuto, correspondo às frases, às saudações, aos elogios, aceito o abraço, o beijo fraterno de Judas.

Sigo adiante e o tipo pensa que mais uma vez me enganou, mal sabe ele que está morto e enterrado.

JORGE AMADO


quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Jorge Louro
Amo-te com a coragem de um cobarde. Quero magoar-te e tu deixas, e eu sinto-me um soldado numa festa de crianças. Quero dar-nos um tempo e tu aceitas, e eu fico louco e baralhado e já não quero e amo-te outra vez, mas agora ainda mais. E quando te encontro sou gelatina a escorregar pelos dedos do destino: 

- Sim, estou bem. Mais tempo para mim, as minhas coisas, sabes como é. E contigo?

- Sinto a tua falta, mas vou andando. Tens aproveitado bem o tempo?
- Sim, com várias coisas. Fiz surf com crianças autistas na praia do ramalhão. 
- Isso é fantástico.
- Sim, sem dúvida. Também fiz uma viagem a África, onde chorei a ver o pôr-do-sol depois de sair do hospital de campanha onde estive toda a noite a fazer voluntariado.
- Bem, estás diferente. Queres ir jantar comigo para me contares essas aventuras?
Nem valeu a pena dizer-lhe que talvez aquilo fosse tudo mentira. Nem valeu a pena dizer-lhe que, entre nós dois, era ela quem o faria. Nem valeu a pena dizer-lhe que eu era apenas capaz de lamber o chão que ela pisava. Que estaria apenas disposto a fazer voluntariado, com ela, debaixo dos lençóis. Mantive a pose – apesar da ausência de coluna vertebral –, acendi um cigarro e disse:
- Deixa-me ver. Tinha combinado uma coisa, mas posso adiar.





NECESSIDADE DE RECUPERAR O ORGULHO

Não deixei de achar curioso as dezenas de partilhas que teve esta simples imagem, e as centenas de comentários que animaram as publicações.
Alguns comentários, a maioria, de manifesta concordância, outros comentários, em menos quantidade, com críticas, umas mais suaves, outras mais ferozes.
De entre as críticas, a mais constante, é que era uma imagem provocatória.
Que novidade!!  Qual a dúvida?? 
Claro que era uma imagem provocatória!!  Claro que era uma provocação!! Terá sido essa a intenção!!
Era uma provocação da CDU em resposta a uma provocação do PS, quando proclama que há que recuperar o orgulho.
Recuperar porquê?  Os Alpiarcenses não têm orgulho na sua terra? Caso a CDU ganhe não há mais orgulho? 
Só recupera quem perdeu.
Mas enfim… nada de mais. É política.
Mas há-que dizer uma coisa… nem a provocação do PS é injuriosa, nem a provocação da CDU em resposta o é.
Não existem ataques pessoais, nem ataques de carácter.
Estão ambas dentro dos limites da decência e da ética política

ASSIM FOSSEM TODAS AS PROVOCAÇÕES E ATAQUES QUE PROLIFERAM NA NET AQUI EM ALPIARÇA, QUASE SEMPRE COM UMA ORIGEM BEM IDENTIFICADA E POUCO DIVERSIFICADA.












O Presidente da Assembleia de Freguesia
Os dois vereadores
O Presidente da Assembleia Municipal
O Presidente da Câmara Municipal
A Presidente da Junta de Freguesia
TODOS CANDIDATOS AO MESMO CARGO PARA 2017-2021

A CULTURA E AS MENTALIDADES
A tradição já não é o que era
Júlio Pratas
A Dona Rosa foi julgada. Não sei o conteúdo da sentença. Mas foi julgada injustamente, já se vê. O seu crime foi afinal uma louvável atitude em defesa das tradições da sua terrinha. Eu conto. A senhora em questão cedeu gratuitamente o seu gato para que se cumprisse a referida tradição: “A queima do gato”. Isto no contexto das festas de S. João, na aldeia de Mourão, Vila Flor, distrito de Bragança.
Citando várias testemunhas de defesa da caridosa senhora, diz-se que foi o próprio bichano, que se ofereceu como voluntário, o que não ficou provado na audiência. Colocado no cimo de um tronco foi a partir da base deitado fogo ao mesmo com as consequências que se calculam. Um divertimento incrível para a populaça. Cumpriu-se esta bela tradição. Em tribunal as testemunhas de defesa transformaram o nome original “Queima do Gato” em “Queima do vareiro”. Não há nada como sermos honestos. O gato não foi ouvido por razões óbvias e e desapareceu daquela simpática e acolhedora aldeia.
Este ano e com o desaparecimento do felino, que deve ter emigrado para um país civilizado, consta que a Comissão de Festas vai convidar a Dona Rosa a ser colocada no topo do “vareiro” e com esta inovação iniciar um novo ciclo em termos de tradição.
Assim como assim qual a diferença entre estes dois animais? Eu respondo::
O gato é mais humano.


ESTE EVENTO JÁ OCORREU
MAS CONVÉM RECORDAR
DIA 1 DE OUTUBRO ESTÁ PRÓXIMO 

CDU ALPIARÇA
REFORÇAR A CONFIANÇA
CUMPRIR O RUMO


RELÓGIOS DE MÁ QUALIDADE?
OU SERÁ A CABEÇA?

Na última Assembleia Municipal, nos finais de Junho, registou-se uma situação no mínimo caricata, que quero partilhar com meus amigos e com a população de Alpiarça.
Vejamos… na parte final da Assembleia, existe um período para intervenções do público, e nesse período inscreveu-se a cidadã, Sónia Sanfona.
Foi-lhe dado 10 minutos para poder fazer a sua intervenção, tempo que foi respeitado pela mesma.
Depois de concluído o período do público intervir, dei a palavra ao Presidente da Câmara, Mário Pereira, para poder esclarecer as questões que foram formuladas.
Até aqui tudo dentro da normalidade, mas a determinado momento, verifiquei que existiam pessoas na sala a cronometrar o tempo do Presidente da Câmara, e um dos presentes (não a Sónia Sanfona, diga-se, para evitar equívocos), fez-se notar porque insistentemente estava com um braço no ar, a apontar para o relógio, insinuando que o Presidente da Câmara estava a ultrapassar o tempo que lhe estava determinado.

No dia seguinte constato que esse mesmo cidadão, através do Facebook, indignado, se urgia contra mim e contra o Presidente da Câmara, usando palavras injuriosas, como “cobardemente”. O cobarde seria eu. Este cidadão chama-se Eduardo Costa.
Outro cidadão, chamado Francisco Cunha, logo veio navegar na mesma onda, também a mostrar-se revoltado com a minha falta de democracia e de respeito.
Muito eu gostaria que esses cavalheiros me esclarecessem qual o tempo destinado às respostas dos Presidente nesse período.
Óbvio que tanto um como o outro apenas vieram dizer disparates e mostrar como são ignorantes no que respeita ao Regimento e à lei.
O Presidente da Câmara em diversos momentos tem o tempo estabelecido de acordo com o Regimento.
Mas acontece que no período de intervenção do público, quando lhe compete esclarecer, nem a lei nem o Regimento, estabelecem um limite de tempo para a sua intervenção.
E percebe-se porquê.
Não era possível prever quantos cidadãos iriam colocar questões; quantas perguntas eram feitas por cada cidadão, bem como não era possível prever a complexidade das respostas.
E na perspectiva da lei, aqui o que importa é o cabal esclarecimento do cidadão que coloca a questão, demore o tempo que demorar.
Logo, o Presidente da Câmara não ultrapassou o tempo que lhe estava destinado simplesmente porque não há tempo delimitado. Ninguém me ouviu avisar o Presidente sobre o tempo que tinha para responder, ao contrário do que faço em outras ocasiões.
A atuação desse cidadão e depois do outro, com um quadro que publicou, não tinham a mínima razão de ser.
Ignorância pura ou então uma quantidade elevada de má-fé.
É verdade que eu, logo no início do mandato, informei que para uma questão de gestão do tempo, iria ter como referência para a intervenção do Presidente, o somatório do tempo das intervenções de todos aqueles que lhe colocavam questões.
Apenas uma referência. O Presidente da Assembleia não pode estabelecer limites que nem a lei nem o Regimento estabelecem.
E porque tal nem seria possível.
Para melhor entendimento, imagine-se um cidadão fazer uma intervenção e dizer “Senhor Presidente, a situação financeira do Município está muito complicada, explique porquê”.
Demorou 5 segundos a colocar a questão. Será que eu poderia dar 5 segundos para o Presidente esclarecer a situação financeira do Município?
Quando nem a lei nem o Regimento estabelecem um limite de tempo.

O que existiu aqui, no meu entender, foi um grande equívoco.
Só consigo explicar a ocorrência da seguinte maneira.
A cidadã Sónia Sanfona que fez a intervenção no período do público, é também candidata a Presidente da Câmara.
Não sei por que carga de água alguns dos presentes, convenceram-se que estavam num debate da campanha eleitoral, e que eu devia respeitar a paridade de tempo.
Se a candidata Sónia Sanfona demorou 10 minutos, eu teria de limitar o tempo do outro candidato Mário Pereira, aos mesmos 10 minutos.
Um equívoco nem é grave, usar má-fé sim. Mas devo confessar que não ouvi qualquer reparo por parte da candidata à minha actuação naquela noite. Louve-se isso.
De alguns dos seus apoiantes sim.

Formalmente, naquela sala, naquela Assembleia, não existiam dois candidatos, existiam sim uma Munícipe de um lado, e o Presidente da Câmara do outro.
Não estávamos em campanha eleitoral, mas sim numa sessão da Assembleia Municipal.
Quer se goste, ou não.

ESTAMOS ENTENDIDOS?